Médico veterinário reforça riscos do contato com as cobras

14/01/2020 - 15:29:43  Cocari
Redação da C7 Comunicação


As cobras são animais peçonhentos, ou seja, possuem a peçonha, que é toda substância tóxica produzida por esses animais a fim de utilizarem para sua defesa ou para caça (captura). Além de serem venenosos, animais peçonhentos possuem um mecanismo que os permite injetar seu veneno no organismo de outro animal, como: escorpiões, aranhas e cobras (serpentes). Porém, estaremos analisando mais especificamente os acidentes por picadas de cobras.


Quando é injetado nas pessoas pelas cobras peçonhentas, o veneno é absorvido pelo organismo, provocando algumas reações, que se diferem de acordo com o tipo da cobra envolvida no acidente.


A ação da peçonha e suas manifestações possuem características tão especiais que, ao serem observadas, ajudam a saber qual o tipo de cobra que provocou o acidente e qual o tratamento adequado, o que facilita o diagnóstico e a aplicação do soro indicado, salvando vidas.


Existem quatro gêneros de cobras no Brasil, de importância médica, que causam acidentes, são elas:


 


JararacuçuGênero Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu cruzeiro etc.): São as mais comuns no Brasil, sendo responsáveis por 80 a 90% dos acidentes peçonhentos. Essas cobras vivem em regiões com vegetações densas e ambientes úmidos em busca de alimentos, como os roedores (ratos).


As manifestações que ocorrem no local da picada podem variar de leve, moderada e grave, sendo a dor e o edema de intensidades variáveis e, em geral, de instalação precoce e caráter progressivo. São frequentes os hematomas e sangramentos no ponto da picada. Bolhas podem aparecer na evolução, acompanhadas ou não de necrose (morte do tecido).


Além de sangramentos e ferimentos na pele, hemorragias em locais distantes da picada, como nas gengivas, podem ocorrer. Em casos graves, pode evoluir para infecção e necrose na região da picada, insuficiência renal, choque e até a morte.


 


Gênero Crotalus (cascavel): Apresentam um chocalho na ponta de sua cauda (guizo) e são de hábitos crepusculares e noturnos. Alimentam-se de pequenos mamíferos (roedores), de aves e habitam regiões de clima seco e quente. 


No local da picada ocorre sensação de formigamento, porém sem lesão evidente e sem dor, podendo ser acompanhada de edema discreto ou vermelhidão no ponto da picada.


Nas manifestações sistêmicas ocorre mal-estar, prostração, sudorese, náusea, vômito, sonolência ou inquietação e secura da boca. Ocorrem reações neurológicas como: pálpebra caída, flacidez da musculatura da face, alteração do diâmetro da pupila, incapacidade de movimentação do globo ocular, visão turva e/ou visão dupla. Pode ocorrer dificuldade para deglutição (engolir), diminuição do reflexo do vômito, alterações do paladar e olfato. Ainda ocorre dor muscular generalizada e urina escura. Como complicação pode ocorrer insuficiência renal aguda e até a morte.


 


Gênero Lachesis (surucucu): Os acidentes causados por esse gênero são muito raros, principalmente porque estas grandes serpentes (podem atingir até 3 metros de comprimento) habitam geralmente áreas de grandes florestas. As surucucus têm o corpo amarelado com desenhos escuros, e a identificação é feita por meio da cauda, que possui escamas eriçadas. 


As manifestações locais são semelhantes às do gênero Bothrops (urutu, jararaca), ou seja, dor e edema, que podem progredir para todo o membro. Podem surgir vesículas e bolhas logo após o acidente, haver hemorragia local e até necrose.


Outros sintomas incluem vômito, diarreia, queda da pressão arterial, tontura, escurecimento da visão, diminuição dos batimentos cardíacos, cólicas abdominais e sudorese.


 


Gênero Micrurus (coral verdadeira): Existem dois tipos de cobra coral, a falsa e a verdadeira, porém estaremos comentando mais especificamente sobre a verdadeira, que é de pequeno porte e fácil de ser reconhecida, devido ao seu colorido vivo. Seu corpo possui anéis pretos, separados por anéis mais estreitos de cor creme e intercalados por anéis mais largos, de cor vermelha, que circundam o corpo. 


A peçonha da cobra coral se espalha de forma muito rápida, atingindo o sistema nervoso, causando dormência na área da picada, problemas respiratórios e caimento das pálpebras, podendo levar uma pessoa adulta a óbito em poucas horas.


A coral tem hábito noturno e vive em locais subterrâneos (debaixo de folhas, galhos, pedras, buracos). Nas manifestações locais ocorre discreta dor local e formigamento.


Já nas manifestações sistêmicas, apresenta vômitos, fraqueza muscular de forma progressiva, pálpebra caída. A paralisia flácida da musculatura respiratória compromete a ventilação, podendo evoluir para insuficiência respiratória aguda e falta de ar, podendo causar a morte da vítima em curto intervalo de tempo.


 


O que fazer caso seja picado?



  • Lavar o local da picada com água, sabão e fazer compressa com água fria;


  • Deixar a vítima em repouso até chegar ao local de tratamento;


  • Quando a picada for em pernas ou braços, eles devem permanecer elevados;


  • Jamais faça garrote nem esprema, corte ou queime o local da picada. 


  • Não dê nenhum tipo de medicamento caseiro ou bebida alcoólica à vítima;


  • Quanto mais rápido for o atendimento, menor será a complicação;


  • Se for possível, leve o animal que causou o acidente (com muito cuidado). Só lembrando, as cobras são consideradas animais silvestres, e quando se mata um animal silvestre, se comete crime (lei ambiental);


  • O soro antipeçonha de cobra é o único tipo de tratamento, devendo ser o específico para o gênero da cobra, e só deve ser aplicado por profissionais da saúde.



 


Prevenção - É preciso levar em consideração os seguintes aspectos:



  • Evite andar descalço ou sem “perneiras” em locais onde é possível aparecer cobra. Se possível, use botas de borracha;


  • Atenção especial em locais como buracos na terra, pedaços de madeira podre ou montes de lenha, capim (roçada), locais com muitas árvores, plantações de cana ou soja;


  • Use luvas de aparas de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas etc. Não coloque as mãos em buracos;


  • Mantenha limpa a área ao redor das residências;


  • Mesmo que o animal esteja morto, não toque nele, pois pode haver contato com a peçonha das presas;


  • Caso tenha que manipular o animal, use luvas de couro e tenha cuidado com as presas.



 


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