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Café do extrativismo à tecnologia

29/11/2019 - 09:35:57  Cocari
Redação da C7 Comunicação - Mandaguari, PR


Saiba mais sobre importantes fatos que marcaram a história da cafeicultura no Estado do Paraná



 



O café chegou ao Paraná no início do século XX, sob a influência de duas guerras e da quebra da bolsa de Nova York em 1929, que levou milhões de sacas a serem queimadas. Nos anos 50 e 60, porém, o café viveu grande expansão em todo o Estado. Na safra de 1961/62 foi o apogeu! Foram colhidas 21,3 milhões de sacas de 60 kg, o que significava 28% da safra mundial.



A cultura do café teve sua importância para o povoamento do Paraná devido às várias fazendas que foram surgindo na região. O trabalho era manual e para atender à gigantesca demanda, era necessário o trabalho conjunto. Assim, as famílias de cafeicultores dividiam, além do trabalho diário, uma vida em comum, pautada na solidariedade e na partilha. Quando chegava a época da colheita, as comunidades faziam uma grande festa, celebrando os resultados e a união.



 


Surgimento da Cocari - Neste momento em que o café estava no auge de sua produção na região Norte do Paraná, 20 cafeicultores que buscavam a comercialização justa e confiavam no modelo de negócios cooperativista se organizaram e criaram, em 7 de fevereiro de 1962, a Cooperativa dos Cafeicultores de Mandaguari Ltda., hoje, Cocari – Cooperativa Agropecuária e Industrial. O grupo era liderado por Dr. Oripes Rodrigues Gomes, figura importante na história da Cocari e da cafeicultura nacional.


Os idealizadores da Cocari tinham em comum o amor pela cafeicultura e relatos de perdas de safras, algumas para as geadas, outras para os atravessadores. As famílias dos agricultores que lutaram para desbravar a região foram as mesmas que, com determinação e visão de futuro, se uniram para fundar a Cocari.


 


Excesso de oferta - Assim, o café foi, por um longo período, o Ouro Verde do Paraná, o maior gerador de riquezas para a economia da região, coroando o modelo de colonização que tornou a produção de pequenos produtores viável economicamente e sustentando muitas famílias em uma época em que as alternativas agrícolas eram escassas. Porém, a sequência de três safras cheias, de 1959 a 1962, gerou excesso de oferta e queda nos preços. O governo então interveio, por meio de programas de erradicação que reduzissem a produção nacional, o que incluía o Paraná.


 


Paraná em Chamas - Em 1963, o Paraná ardia em chamas. A tragédia foi resultado da combinação de baixas temperaturas com uma estiagem prolongada. Os campos estavam secos em razão das fortes geadas daquele ano. Como era de costume, os lavradores faziam pequenas queimadas para limpar o terreno. Não demorou muito para o fogo avançar sem controle.


Uma série de incêndios florestais entre os meses de agosto e setembro de 1963 causou uma tragédia histórica. Na ocasião, 110 pessoas morreram e 10% do território do Estado foi consumido pelas chamas. Foi o pior incêndio registrado no Brasil e um dos maiores do mundo.


Ao todo, 128 cidades das regiões Norte, Central e dos Campos Gerais foram afetadas. Dois milhões de hectares foram completamente devastados ao longo de dois meses. Aproximadamente 8 mil imóveis, entre casas, galpões e silos, viraram cinzas. Cerca de 5,7 mil famílias de trabalhadores rurais ficaram desabrigadas.


 


Geada Negra - Em 1975, nenhum paranaense fazia ideia do que estava por vir, e a trágica surpresa veio no amanhecer do dia 18 de julho, trazendo uma forte geada que devastou todas as plantações de café no Estado. Aquela foi considerada uma das mais intensas do século passado e ficou conhecida como Geada Negra, responsável pela destruição de quase todas as lavouras de café do Norte do Paraná. A Geada Negra recebe esse nome porque provoca o congelamento da parte interna da planta devido ao frio intenso. Dessa forma, a planta fica escura, queimada e morre.


O Paraná, que era o maior centro mundial na cultura do café, tinha sua produtividade superior à média nacional. Para se ter uma ideia, na safra de 1975, antes da geada, as colheitas que já haviam sido encerradas no Estado somaram 10,2 milhões de sacas de café, o que correspondia a 48% da produção brasileira. Porém, no ano seguinte, após a geada, a produção caiu drasticamente para 3,8 mil sacas. O Estado nunca mais foi o mesmo e nenhum grão de café chegou a ser exportado.


Jaime Canet Júnior, governador do Paraná e produtor de café, na época, sentiu na pele os impactos da geada e como medida econômica anunciou que o orçamento do Estado seria reduzido em 20% no ano seguinte. Aproximadamente 300 mil lavradores ficaram sem emprego.


A previsão dos especialistas era de que o prejuízo chegaria a 600 milhões de cruzeiros (o equivalente, pela cotação da época, a 75 milhões de dólares), apenas nas lavouras de café, e apesar de outras culturas como o trigo também sofrerem perdas importantes, era o café que sustentava a economia do Paraná naquela época – uma situação que mudaria logo em seguida, já que os cafeicultores nunca mais se recuperariam desse impacto.


Após as irreparáveis perdas, muitos iniciaram um movimento migratório, o que resultou na perda de 13% da população paranaense ao longo dos anos 80. O Estado de Mato Grosso foi um dos principais destinos e não demorou muito para que Rondônia fosse considerada a nova terra de visão do futuro. A migração não só afetou cidades, como deixou marcas que podem ser vistas até hoje.


A avassaladora Geada Negra foi capaz de precipitar mudanças históricas, e o inesquecível frio daquele 18 de julho de 1975 fez com que a vida dos paranaenses nunca mais fosse a mesma. Sabemos o quão triste foi aquela tragédia, mas não podemos negar sua importância na história, pois tudo o que aconteceu de 1975 para cá serviu de estímulo para o avanço do Estado, ou seja, a mesma geada que eliminou a principal cultura agrícola, o café, e prejudicou a vida de muita gente, abriu portas para novas culturas, impulsionando a supremacia da soja, o fortalecimento das cooperativas, a migração e a industrialização.


 


O reinício do café - Antes da Geada Negra de 1975, a versatilidade da manutenção das lavouras de café era um dos temas mais discutidos no Paraná. Após o fenômeno que devastou a cafeicultura, o que entrou em pauta foi a necessidade de diversificar os tipos de cultivos. Dessa forma, alguns produtores decidiram arriscar em plantios como a soja, o trigo, o algodão e o milho. Porém, como faltou trabalho para quem dependia do café, milhões de pessoas foram embora do Estado, acarretando uma enorme mudança no modo de vida rural. 


Felizmente, alguns produtores seguiram na cafeicultura. Foi o caso do cooperado José Carlos Rosseto, de Mandaguari-PR, que destacou o porquê decidiu continuar. “Chegou um determinado momento em que as lavouras estavam destruídas e veio a preocupação, quando decidi fazer um curso de torneiro mecânico para, quem sabe, poder trazer alguma renda para ajudar em casa. Quando terminei de fazer o curso, eu já poderia começar a trabalhar na nova atividade na cidade. Foi quando meu pai me disse que aquela era a hora de nos unirmos para seguir com a cafeicultura, e foi assim que fizemos”, frisou.  


Recomeçar não foi nada fácil, mas José Carlos estava decidido a buscar mais conhecimento, novas ferramentas de trabalho e métodos inovadores para reinventar a sua forma de cultivar o café. “A maior mudança que tivemos foi poder plantar mais pés de café por área, para obter maior produtividade em um espaço menor. E nós sempre procuramos inovar, em busca de melhorar a produção, como fizemos com a implantação da irrigação nas lavouras”, destacou José Carlos.


A aquisição de novas tecnologias, como a máquina de colher o café, também auxiliou para aumentar a produção. No primeiro ano de implantação da irrigação, os produtores já tiveram resultados muito bons, mas a surpresa veio no ano seguinte, quando a produção aumentou. “Daí fomos investindo em novos maquinários para realizar a colheita, para agregar valor ao nosso produto, diminuindo o custo da produção e otimizando mais nosso trabalho. Com isso, conseguimos sair daquela produção que tínhamos em 1974-1975, antes da Geada Negra, de 7 a 10 sacas de café por alqueire, para alcançar produção de 50-60 sacas de café por hectare”, afirmou.   


Assim como as geadas continuaram a oferecer risco às lavouras, a cafeicultura permaneceu no Paraná. Dessa forma, produtores como José Carlos Rosseto, que deram continuidade à cafeicultura, evitaram uma emigração rural ainda maior e foram fundamentais para o recomeço e o progresso do Ouro Verde na região Norte do Paraná.

 
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