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Cafeicultura: entenda como usar a irrigação em período de estiagem

30/09/2019 - 11:34:52  Cocari
Redação C7 Comunicação




Muito bem-vinda, a chuva do final de agosto pôs fim ao período de estiagem que já vinha prejudicando diversas culturas no Paraná. Em situações graves de déficit hídrico, ocasionado pela falta de chuva, as plantas podem ficar murchas, com folhas amareladas e secas. Podem apresentar maturação desuniforme de frutos passando de verde para seco diretamente, sem passar pelo estádio de cereja, o que afeta o tamanho e a formação dos grãos de café. O déficit hídrico reduz o crescimento dos ramos e pode causar a morte das plantas, prejudicando a produtividade da lavoura na fase atual e no ano posterior.


Para falar sobre o assunto e orientar os produtores na tomada de decisão durante períodos de estiagem, convidamos o engenheiro agrônomo da Cocari responsável pelo Setor do Café, Roberval Simões Rodrigues. 


 


O que é déficit hídrico?


Fisiologicamente explicando, a planta tem seus poros (estômatos), nessas organelas ocorrem as trocas gasosas necessárias ao processo fotossintético, e com o déficit hídrico esses poros diminuem a sua abertura para evitar perda de água. Com esse fato, o processo fotossintético é severamente prejudicado e acaba por afetar todo o desenvolvimento da planta. Destaco que a planta não come nutriente, na verdade ela bebe os nutrientes, e com a estiagem o processo de absorção de nutrientes também é drasticamente afetado. Numa analogia simples, uma planta em déficit hídrico é como uma pessoa extremamente desidratada.


 


Como a estiagem pode afetar a lavoura de café?


A estiagem pode gerar impactos diretos no bolso, afetando seu resultado financeiro. O principal é a perda de produtividade, como a planta é obrigada a se proteger para não perder água, ela diminui o seu processo fotossintético e a absorção de nutrientes. Outro fator que influencia a rentabilidade da atividade é a perda de qualidade, pois ocorre um índice maior de grãos mal formados, peneiras menores e maior presença de grãos pretos verdes, aumentando o índice de cata. Indiretamente a estiagem que causou o déficit hídrico favorece a ocorrência de broca do café.


Existe um momento em que a estiagem (déficit hídrico) acaba sendo benéfica para a cultura do café: a fase da pré-florada. Numa explicação simples, a estiagem propicia o “amadurecimento” dos seus ramos produtivos, o que favorece a ocorrência de uma florada mais uniforme. Esse fator possibilita ao produtor obter uma qualidade melhor no café que será produzido, devido à presença mais uniforme de grãos em estádio de cereja no momento da colheita. 


Quando não ocorre estiagem nesse momento de pré-florada, ocorre o amadurecimento desigual dos ramos produtivos e com isso um maior número de floradas vai ocorrer. Desse modo, no momento da colheita, o produtor acaba obtendo grãos secos oriundos de uma pequena florada inicial, grãos passas de uma segunda florada, cerejas de uma terceira florada, verde cana de uma quarta florada e ainda verdes em água de outra florada, o que impede o produtor de conseguir uma matéria-prima melhor (grãos cereja e passa), para fazer cafés com qualidade superior.


 


Quais são as medidas que o produtor pode tomar durante o período de estiagem?


Quando pensamos em estiagem numa cultura perene, como é o caso do café, temos que ter uma abordagem preventiva do fato, diminuindo assim o impacto do déficit hídrico. Devemos trabalhar com medidas que minimizem a intensidade de perda de água da relação “solo planta”, como essas:



  • A escolha de uma cultivar com sistema radicular mais agressivo;


  • O uso de mudas mais vigorosas que apresentem o sistema radicular bem desenvolvido;


  • Calagem e gessagem para melhorar a fertilidade do solo;


  • O uso de quebra-vento;


  • A eliminação da compactação do solo;


  • Adubos verdes e adubos orgânicos;


  • Adubação equilibrada;


  • Espaçamentos mais fechados;


  • Sombreamento com arborização.



São algumas das ações que podem amenizar os problemas causados pela estiagem. É óbvio que quanto maior o período de estiagem, mais importante será o que foi feito preventivamente para amenizar os danos oriundos do fenômeno climático.


A irrigação, principalmente a localizada (gotejamento), com baixo gasto energético e hídrico, consegue suprir às necessidades de sua lavoura, permitindo que as plantas não sofram com déficits hídricos em momentos fundamentais para obtenção de altas produtividades. O correto é o produtor monitorar a umidade por meio de equipamentos que fazem a leitura no solo. Deste modo o produtor evita ter gastos desnecessários, irrigando realmente no momento certo.


 


Por que optar pela irrigação na região do Paraná?


Quando analisamos a questão do histórico de chuvas nas regiões onde a cafeicultura paranaense se encontra, chegamos à conclusão de que ocorrências de estiagens que prejudicam a cultura do café são raras. Deste modo, aparentemente pode nos levar a ter falsas conclusões de que a irrigação é uma prática desnecessária no Paraná.


Na verdade a irrigação permite ao cafeicultor agir em momentos pontuais e muitas vezes cruciais, impedindo a ocorrência de perdas significativas na produtividade.


Um fator fundamental é que a irrigação permite ao produtor rural trabalhar com a fertirrigação, que dá possibilidade ao produtor de ganhar na eficiência da nutrição das plantas. Ela permite usar insumos com qualidade superior aos tradicionais, trazendo maior eficácia na utilização de insumos e, consequentemente, ganhando em produtividade e desenvolvimento. A fertirrigação favorece por exigir menor demanda por mão de obra, pois quando se adota esse sistema o número de pessoas necessárias para cuidar de uma lavoura e fazer a adubação cai drasticamente, permitindo que apenas uma pessoa consiga adubar grandes áreas de lavouras de café.


 


Quais vias de irrigação usar durante estiagens?


A principal via de irrigação da cafeicultura paranaense é a localizada, que trata-se da irrigação por gotejamento. Esse sistema foi desenvolvido para ter melhor eficácia com menor consumo energético e também dos recursos hídricos, permitindo dar a água necessária no momento ideal para a cultura. É o método em que são alocados no campo tubos gotejadores (semelhantes a mangueiras) que criam faixas de molhamento do solo e permitem dar às plantas a água necessária para o seu melhor desenvolvimento, sem excesso ou perdas significativas desse recurso.


Outra via é o método do pivô central, em que o consumo energético é muito grande e o consumo de recursos hídricos também é bastante elevado, sendo praticamente inviável para utilização na cafeicultura paranaense. Neste sistema, a água é aplicada por cima em grandes volumes, simulando uma chuva. O sistema de aspersores é outra possibilidade, mas tem grande gasto energético e de recursos hídricos, e também simula chuvas.


Sabemos que grandes propriedades em outros estados utilizam essas vias, porém a oferta de recursos hídricos tem que ser levada em conta na decisão de adotá-las. Pensando na questão ambiental e financeira, a irrigação localizada é a melhor opção.


 




Como funciona o sistema de irrigação do café ao longo do ano?


No período de colheita, a utilização da irrigação é muito baixa, agindo pontualmente em situações de déficit hídrico. Comparando com as regiões onde ocorrem estiagens com maior intensidade e frequência no inverno, a irrigação permite ao cafeicultor daquela região trabalhar a questão do estresse hídrico, conseguindo melhorar a qualidade do café. No Paraná essa situação raramente ocorre, pois historicamente temos um inverno chuvoso.


 A partir de setembro, a utilização da irrigação é frequente, podendo ser realizada até duas vezes por semana


 (cuidar com custo da energia elétrica), porém mais pelo uso da fertirrigação, do que por causa de estiagens com déficit hídrico. Esse período se estende até o mês de março.


Ocorre, portanto, que o produtor faz o uso da irrigação como uma ferramenta de melhoria na qualidade da sua adubação.


Para aqueles que não usarem fertirrigação em momentos antes de ocorrer o déficit hídrico, a irrigação deve ser acionada.


 


 

 
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