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Conservação do solo

03/04/2019 - 15:35:23  Cocari
Dr. João Batista G. Dias da Silva - Eng. agrônomo


As chuvas abundantes que recebemos nesta estação, tão importantes para a vida das plantas, trazem consigo energia originada com o seu movimento de queda que podem provocar grandes perdas para a produção agrícola, devido à erosão e à degradação das qualidades naturais de nossos solos. 


Quando pensamos em erosão, logo visualizamos as valetas e sulcos produzidos pelas enxurradas, no entanto a erosão laminar, aquela que ocorre superficialmente, movimenta grandes volumes de sedimentos e nutrientes em solução, muitas vezes em quantidades maiores, de tal forma que o material mobilizado é redistribuído e depositado no terreno abaixo, embora somente uma pequena quantidade alcance os rios.


A gota da chuva, quando cai sobre a superfície, constitui a primeira etapa da erosão, compacta e desagrega o solo. O processo de desgaste ocorre ao longo dos anos pelo transporte e retirada de materiais e minerais em solução, o que implica na fragmentação mecânica dos agregados, que são responsáveis pela estrutura do solo, sua porosidade e aeração. 


As perdas por erosão levam a riqueza do solo em forma de nutrientes aplicados na calagem e adubação em superfície e, da mesma forma, a matéria orgânica tão fundamental para a vida do solo e para o crescimento das plantas. Os pesquisadores afirmam que para formar um centímetro de solo são necessários milhares de anos, por isso podemos dizer que a terra é um recurso natural “não” renovável, quando comparado à existência do homem. Assim, devemos ter todo cuidado necessário para sua conservação, pois a natureza leva milhares de anos para formá-lo.


Os cuidados para a conservação da fertilidade natural de nossos solos evoluíram juntamente com a força da agricultura. O sistema de terraceamento dos solos formando curvas e plantio em nível, juntamente com o plantio direto na palha, têm permitido um avanço expressivo no aumento da produtividade de nossas lavouras. O conjunto de práticas conservacionistas tem reduzido em larga escala a erosão pelas águas, permitindo a alguns agricultores alcançarem marcas significativas de produtividade, principalmente na cultura da soja. Nesse contexto, a palhada como cobertura constitui-se como maior fator de conservação do solo e da umidade. Está comprovado que a palhada abundante no solo impede o carregamento das partículas e nutrientes pelas águas das chuvas. Por outro lado, a prática de rotação de culturas permite agregar ainda mais palhada no sistema. 


Apesar do sistema de conservação dos solos estar consolidado como conhecimento técnico a serviço dos agricultores, ainda persiste um conceito errado de que apenas o plantio direto seria suficiente para evitar perdas por erosão. Observamos com muitas evidências, nesse período chuvoso, vários problemas de escorrimento de água em sulcos devido à retirada de terraços e plantio em desnível (em quadro – morro abaixo). Também a mobilização periódica do solo com gradagens leves ou pesadas e escarificação têm provocado a perda de solo e nutrientes. Da mesma forma, o modelo de produção com cultivo do milho na sequência da soja onde sobra pouca resteva, com pouca palha no sistema, tem provocado graves problemas de erosão e prejuízos para o agricultor. Propriedades com declividade acima de 5% mostram perdas mais significativas e estas ultrapassam os limites da propriedade e da bacia hidrográfica.


 


Boas práticas de manejo: Diante desta realidade, fica evidente a necessidade de utilizar em larga escala as boas práticas de manejo de solo: 



  • Curvas de nível;


  • Plantio direto e em nível;


  • Rotação de culturas;


  • Plantio intercalar de brachiaria na cultura do milho;



 


Adubação verde: A readequação dos terraços que foram construídos em décadas passadas no sistema convencional, quando fazíamos aração e gradagem no preparo do solo, é uma medida garantida de investimentos para preservar o patrimônio da família, as terras. O entendimento seguro de que o plantio em nível diminui a erosão e as perdas de solo favorece bons rendimentos ao longo dos anos, além de apontar um rumo para a conquista de boas colheitas e alta produtividade.


Em nossas próximas edições do Informativo Cocari, abordaremos com mais detalhes cada uma das boas práticas de manejo de solos.

 
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