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Cooperados se destacam pela qualidade do café

30/11/2018 - 15:33:43  Cocari



No Paraná, a cafeicultura ocupa cerca de 41 mil hectares, com a maioria das lavouras formadas em média por 10 hectares, conduzidas por pequenos agricultores. A produção deste ano deve situar-se pouco abaixo de um milhão de sacas beneficiadas, projeção que já considera uma pequena redução provocada pela falta de chuvas em abril, mas, em qualidade, o Paraná só cresce. Cooperados da Cocari tiveram importante representatividade na etapa final do Concurso Café Qualidade Paraná, como tem ocorrido nos últimos 13 anos. 


A competição envolveu as regiões de Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Ivaiporã, Londrina, Maringá, Santo Antônio da Platina e Toledo, com participação de 320 cafeicultores nas seletivas. Aroma, doçura, acidez, corpo, sabor, gosto remanescente e balanço da bebida são os quesitos avaliados.


O prêmio é uma realização da Câmara Setorial do Café do Paraná, Seab, Iapar, Emater/PR, Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e Prefeitura de Pinhalão, com patrocínio da Sicredi, Faep/Senar, Bratac, Ocepar, Sebrae, Integrada, BRDE e apoio da Cocari, Cocamar, Copacol, Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e Sociedade Rural do Paraná.


O Concurso NossoCafé contou com 100 inscritos, das principais regiões produtoras do Brasil. A segunda fase reuniu 20 produtores, sendo 16 de Minas Gerais e quatro do Paraná, resultado que coloca o Estado, e em especial Mandaguari, em posição privilegiada. Outro cooperado de Mandaguari que se destacou foi Edson Lopes, que ficou em 4º lugar, tendo participado pela primeira vez. 


 


Qualidade é obrigação


Para Evilásio Shigueaki Mori, de Cambira, qualidade do café não é mais diferencial, é necessidade. “Ter qualidade é obrigação para se manter no mercado, que está cada vez mais exigente. O brasileiro está aprendendo a tomar café e querendo produto de melhor qualidade, e a tendência é de exigência cada vez maior”, apontou.


Desde 2015 ele se destaca entre os melhores no Concurso Café Qualidade Paraná. Nessa edição ficou em 2º lugar na Categoria Natural, mas a nota foi de 85,38, maior que a obtida quando conquistou a primeira colocação, há três anos. “A pontuação vem aumentando e o nível de qualidade vai subindo”, resumiu. 


Com a falta de mão-de-obra, mecanização e qualidade caminham juntos. “Não dá para mecanizar tudo e ter 100% de qualidade, mas a tecnologia melhora o padrão do café, torna o produto mais competitivo”, observou.


O cooperado destaca que a visibilidade que a premiação proporciona é importante. “O concurso tem divulgação expressiva em nível nacional, trazendo valorização no ramo de cafés especiais. A participação em concursos traz essa visibilidade, e os resultados têm sido importantes”, comemorou.


Na propriedade de Edson Lopes, de Mandaguari, o processo produtivo é relativamente simples, mas diferenciado. “A colheita é normal, e depois, no momento que passa pelo lavador, é que os grãos maduros são selecionados para secagem. Procuramos também colher cedo, para obter bebida melhor”, esclareceu. 


O resultado começa a ser feito desde o plantio, adubação, colheita, numa sequência de procedimentos que geram a qualidade, fazendo a diferença entre um café de bebida boa e de bebida ruim. “E a diferença é grande, então tem que caprichar, não só para o concurso, mas para toda a produção”, destacou. 


Lopes ficou em 3º lugar no Café Qualidade Paraná e em 4º no Concurso NossoCafé, promovido pela Yara, com nota 86,45, do qual participou pela primeira vez. “Foram gratas surpresas. E o 4º lugar nacional é ainda melhor que o 3º estadual, envolve outros estados, como Minas Gerais, que é forte na produção”, ponderou.


O destaque é um incentivo. “Estamos mostrando que o Paraná também produz qualidade”, apontou. “E é uma grande satisfação depois, ao encontrar pessoas comentando que viram o resultado do concurso, parabenizando pelo nosso café ser um dos melhores do Brasil. É uma alegria”, ressaltou.


Para José Roberto Rocco, de Mandaguari, o maior aprendizado sobre como lidar com café veio do berço. “Meu pai sempre me ensinou a trabalhar do jeito certo”, destacou. “A preparação do café começa na escolha da variedade, na produção da muda, passa pelo plantio, a boa adubação, todo preparo da lavoura, seguindo as orientações dos técnicos da Cocari e, o segredo maior, é o cuidado com a colheita e a secagem do café”. “Se o produtor fizer tudo certo, mas errar na secagem do café no terreiro, o trabalho será perdido”, garantiu. 


O cooperado fala de cada etapa com propriedade, já que também atua na produção de mudas de café. E o conhecimento rendeu a 5ª colocação no Concurso Café Qualidade Paraná, tanto no ano passado quanto nesta edição. Rocco defende que a agricultura é como uma empresa, em que os produtores trabalham e precisam ter retorno dos investimentos. “Todo setor passa por dificuldades, como estamos enfrentando neste momento, com os preços do café muito baixos, mas a atividade é sempre recompensadora e quem gosta do que faz, não pode desistir. É o nosso ganha-pão, então, ou fazemos com dedicação, amor e responsabilidade ou não conseguiremos nos manter na atividade, tendo bons resultados”, enfatizou.


Lisiane Aparecida Veiga do Prado Ravar, de Ivaiporã, trabalha com a família e participou pela primeira vez do Concurso Café Qualidade Paraná, com excelente resultado. A cooperada conta que se inspirou nos produtores vencedores na categoria Microlote. “Começamos no Festival de Café em Jacutinga, com todos os cuidados no processo de secagem e ficamos em 4º lugar, e no concurso estadual conquistamos a 5ª colocação, com pontuação muito boa, de 82,74”, informou. 


Detalhes fazem a diferença na preparação do café. “Temos de fazer com amor, dedicação e carinho. Esse é o segredo. Ter o quinto melhor café do Paraná é uma grande conquista, um sonho realizado. E vamos lutar para chegar ao primeiro lugar”, declarou, animada.


A família do marido trabalha com a cultura há quase 100 anos, passando de pai para filho. “Mesmo para quem tem amor pela cafeicultura, como nós, conduzir a lavoura de café é difícil, muitos já desistiram. Minha mensagem aos produtores é que não desistam, porque fazendo todo o processo necessário e colhendo com amor, todos conseguem obter qualidade. A luta não é fácil, mas com a união da família, conseguimos conquistar bons resultados”, assegurou a produtora. 


Guilherme Henrique Fiorucci, de Cambira, ficou em 2º lugar na Categoria Cereja Descascado, com nota 83,25, e salientou que a preparação para chegar a esse resultado, tão esperado, começou com a história de seus bisavós, que vieram da Itália para o Paraná. Há cerca de cinco anos, devido a uma forte geada, a família precisou renovar as lavouras. Uma pesquisa, em parceria com a Cocari e a Emater, apontou o espaçamento ideal e cuidados necessários para a sanidade da lavoura, nutrição das plantas, correção do solo, escolha das melhores variedades, que agregaram genética boa, com grãos mais uniformes e homogêneos. 


O desejo de produzir café de qualidade levou a família a adquirir o lavador e o despolpador de café, que ajudam a melhorar a bebida do café. Paralelamente, construíram o terreirão suspenso, para deixar o grão mais arejado, evitando a fermentação. 


A qualidade envolveu o estabelecimento de quantidade determinada de sacas por dia na colheita, para produzir grande volume de café com qualidade, e ainda treinamento do pessoal da colheita, para garantir que o grão não seria recolhido do chão, só no pano. Tudo isso influencia no valor. “Quanto melhor for o café, maior será a diferenciação na hora da venda e melhor será o preço. Os cafeicultores precisam se atentar para essa realidade e começar a produzir qualidade, em vez de quantidade, porque isso mudará a visão do mercado com relação ao café do Paraná”, frisou.


O pai de Guilherme, Samuel Bartolomeu Fiorucci, de Cambira, trabalhou com bastante dedicação e usou o despolpador e terreirão suspenso na produção do Cereja Descascado premiado no concurso, com nota 82,81. Foi o primeiro ano que participou e admite que não tinha grande expectativa. “Foi uma surpresa. Fizemos o que precisava, e achei que o café estava bom, mas não imaginei ficar entre os cinco melhores”, declarou. 


Para o produtor, quem tem grande quantidade de café, investir na qualidade garante um ganho a mais. Para o pequeno produtor o custo é um pouco alto, mas vale a pena. “Vale a pena pelo reconhecimento, o prazer de trabalhar com produto bom, trazer o prêmio para a nossa região, valorizar também a Cocari. Quem sabe ano que vem eu não consiga fazer melhor, conquistar o primeiro lugar, para que nossa região seja reconhecida como de bons produtores”, argumentou.


A família tem história longa na cafeicultura, desde 1901. “Essa responsabilidade agora é minha, estou tocando e envolvendo a família. Fico feliz em transmitir esses conhecimentos para meu filho”, enfatizou Samuel.


 


Família Rosseto conquista destaque no Concurso NossoCafé


O êxodo rural, consequente da geada de 1975, representou uma grande crise para a cafeicultura paranaense, mas teve quem enxergou nisso uma oportunidade. Para muitos produtores possibilitou a compra de propriedades. Foi o caso da família Rosseto, de Mandaguari. Atualmente, juntos, somam 30 alqueires, onde cultivam 300 mil pés de café, em área mecanizada. Ao todo, 20 pessoas vivem da produção e 10 trabalham nas propriedades.


Para a família Rosseto, a primeira participação no Concurso Café Qualidade Paraná foi em 2009, quando alcançaram nota 76. A cada ano essa marca sobe, e eles se destacam em todas as edições, seja no concurso estadual, seja a nível nacional. Uma importante conquista veio em 2017, na primeira edição do Concurso NossoCafé, promovido pela Yara Fertilizantes, quando Wagner Rosseto levou o prêmio de melhor café do Brasil, na Categoria Natural, com nota 84,75. E este ano, o irmão de Wagner, Fernando Rosseto, conquistou o 2º lugar, com nota 86,06. 


Caminho aberto por tecnologia


Para chegar a esse nível de qualidade foi um caminho longo. Um dos primeiros passos foi investir em tecnologias. “Sem mão-de-obra a solução é mecanizar a lavoura porque não temos mais condições de trabalhar manualmente. É mecanizar ou sair da atividade”, afirmou o jovem cafeicultor, membro da quarta geração, que segue mantendo a tradição familiar na cafeicultura. 


A família Rosseto foi pioneira na implantação da fertirrigação. “Quando começamos, há alguns anos, muitos achavam que era uma bobagem investir nisso, mas na verdade trouxe diversas melhorias. Com a fertirrigação, uma pessoa faz todo o trabalho de adubar. O que demoraria quase um mês, é concluído em uma semana, sem grande esforço e sem depender do clima”, esclareceu.


Depois veio a aquisição da máquina colheitadeira, que dá condições de colheita com qualidade, e o terreiro suspenso, que facilita a secagem. Isso tudo confere qualidade ao grão e influencia no resultado final. “O investimento em fertirrigação não foi barato, mas o manejo ficou mais fácil, a produtividade aumentou, a qualidade melhorou e o custo se pagou em dois anos”, garantiu Fernando.


Nas propriedades dos Rosseto, os jovens trabalham com amor e respeito às tradições, mas a modernização visa a garantir que o retorno financeiro também seja consequência dessa feliz opção. Nesse sentido, tanto os mais experientes quanto os mais jovens, estão sempre abertos às orientações dos profissionais do Departamento Técnico da Cocari. “A cooperativa para nós é uma segunda família, trabalhamos muito bem juntos, e tudo que temos e o que estamos vivendo hoje, agradecemos à Cocari”, observou.


Fernando aproveita para agradecer à Yara Fertilizantes. “A partir do momento que começamos a trabalhar com os produtos da Yara, o resultado veio. Ganhamos o concurso e portas se abriram para o nosso café, trazendo mais valorização para nosso produto”, diz, agradecido. “Depois que ganhamos o concurso os olhos começaram a se voltar para o Paraná. Que os prêmios sirvam de lição para que os produtores vejam que também podem crescer na cafeicultura, o que só traz melhorias para o município, para o Paraná e o Brasil de maneira geral”, apontou.

 
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