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China – um mercado cheio de surpresas e oportunidades

19/07/2018 - 10:55:37  Cocari
Redação da C7 Com., com info. de Vilmar Sebold


O mercado chinês cresce aceleradamente e de forma diversificada, sendo o agronegócio uma importante aposta de investimento em diferentes segmentos. Entre os dias 15 e 24 de junho, o presidente da Cocari, Vilmar Sebold, compondo um grupo que viajou para a China com patrocínio da Nortox, pôde entender um pouco do que é a China, suas oportunidades e o que o Brasil pode e deve fazer se quiser participar desse atraente mercado.


Além da Cocari, fizeram parte do grupo a cooperativa Coopercitrus, de São Paulo e sete empresas de revenda do Brasil. “Agradeço à equipe da Nortox, que não mediu esforços para atender ao grupo e, de forma especial, aos senhores Humberto Amaral e João Ferrari”, salientou Sebold.


 


História reflete na agricultura


A Revolução Comunista de 1950 é o registro histórico de uma grande crise que entre 1958 e 1962 levou à morte aproximadamente 45 milhões de pessoas por fome na China. Por isso, alimento lá é assunto prioritário. Mao Tsé Tung estava no poder (1950 a 1976), e naquele período se confirmou a soberania chinesa frente ao domínio soviético.  


A crise se deu em consequência do modelo em que o Estado era proprietário de toda terra, mas as regiões foram divididas em “comunas” (vilas rurais), com 50 a 300 pessoas que dividiam a produção de forma igual, independente do volume de produção individual. 


Do total da colheita retirava-se a parte do governo, que era usada também para alimentar a população da cidade, e o restante era dividido de forma igualitária entre todos, o que resultou em não haver esforço para produzir mais. 


Em 1978  foi implantado novo modelo, que manteve o Estado como proprietário das terras, mas passou-se a conceder às famílias títulos de direito de uso de 5 MU - equivalentes a, aproximadamente, 3.500 m2 de área. Dessa forma, as famílias voltaram a buscar maior produção e produtividade, passando a ser responsáveis pelo próprio sustento.


Recentemente esse processo de busca de escala, produtividade e rentabilidade está levando aqueles agricultores com menos tecnologia a arrendarem suas áreas para outros produtores que conseguem maior produtividade e eficiência. 


As famílias de produtores recebem também, anualmente, um subsídio do governo para complementar sua renda. O governo determina o preço dos produtos, aumentando o valor quando precisa de maior produção ou reduzindo o preço quando existe excesso. 


Atualmente, o governo chinês tem à sua disposição, entre outros, uma equipe de aproximadamente 50 pesquisadores ligados à Fundação Cultural da China, que acompanha a evolução da agricultura mundial para suprir de dados as autoridades chinesas, que assim podem traçar a estratégia da segurança alimentar do país. 


Em visita à Fundação Cultural, o grupo brasileiro conversou com dois pesquisadores que cuidam dos negócios ligados à agricultura no Brasil com monitoramento diário. Na apresentação que fizeram, os visitantes puderam entender um pouco de como funciona a produção agrícola e pecuária da China.  “Eles detêm todas as informações do Brasil. Sabem como foi a evolução da safra nossa, conhecem detalhadamente, por região, o que acontece no Brasil”, aponta Vilmar Sebold.


A viagem não contemplou visita às lavouras, mas, no trajeto de Pequim (Beijing) para Xangai, de trem bala, nos 1.200 km, percorridos em quatro horas, o grupo pôde perceber que todas as terras são ocupadas, ou com reflorestamento, quando não são aptas para a agricultura, ou produzindo. São pequenos quadros ou tabuleiros com valetas e lençol freático superficial.


É sabido que a área da China é insuficiente para produzir todos os alimentos que consomem, mas estão compensando esta carência de áreas com tecnologia e produtividade.  


 


Oportunidades


De acordo com o que foi apresentado na viagem, no futuro, alguns produtos continuarão tendo campo, outros não. Soja, café, carne bovina, lácteos, frutas terão maior espaço, cortes de suínos e de aves vão continuar tendo espaço, porém menor, uma área vasta para produtores brasileiros avançarem. 


A soja continuará tendo aumento de consumo, pois necessitam do grão, óleo e farelo. No caso do milho, trigo e arroz, a informação é de que não vão demandar grandes volumes. 


Para não usar extensão de área, os chineses estão verticalizando também a criação de suínos e modernizando todo o processo produtivo, substituindo estruturas e tratos rudimentares por granjas e aviários dotados de tecnologia de ponta. “Nos aviários, as estruturas são tão modernas quanto as nossas”, destacou Sebold. 


A importação de aves e suínos não deverá ser uma grande aposta no futuro, mas para alguns produtos, a tendência é de mercado aberto. “Há espaço para vísceras comestíveis de suínos, que fazem parte do cardápio do chinês, bem como cortes específicos, como pés, ponta de asa de frangos etc.”, elencou Vilmar Sebold, vislumbrando oportunidades para fomentar a produção da integração de aves no Brasil. 


Atualmente os principais produtos importados do Brasil são: soja, carne de frango, suínos e bovinos, e alguma coisa de pescado. A tendência é continuar crescendo a importação de soja do Brasil, seja óleo, farelo ou grão, mesmo com aumento da produção no Leste Europeu.


Conforme visto, os campos que oferecem oportunidade e, portanto, merecem atenção do agronegócio brasileiro são: soja, café, carne bovina, lácteos, frutas, cortes de suínos e de aves. “Temos que produzir o que o mercado quer comprar, em qualquer lugar, a qualquer momento”, pondera Sebold.  


O café brasileiro tem espaço na China, pois a classe média está se habituando a tomar café. Em todo quarteirão no centro de Xangai tem uma ou duas Starbucks – empresa multinacional, com sede em Seattle – EUA, com a maior cadeia de cafeterias do mundo – que não produz café. “É o café brasileiro. Nós vendemos commodities, vendemos ingredientes, e alguém agrega valor ao produto final”, analisa. “Se não conseguirmos fazer no Brasil a marca Brasil, vamos continuar fornecendo ingredientes”, disse.


A exportação da carne bovina para a China também merece avaliação. É um mercado que crescerá em função da migração do campo para as cidades e aumento da classe média. “Precisamos lembrar que já são mais de 230 milhões de chineses na classe média”, observa o presidente da Cocari. 


Outro item que os chineses precisarão importar, e que representa grandes oportunidades para o Brasil, são derivados de leite. 


Em visita à Embaixada do Brasil, o grupo brasileiro foi recebido pelo adido agrícola, Jean Carlo Cury Manfredini, com quem trataram abertamente sobre os anseios, dúvidas e questionamentos. “Pareceu-nos uma pessoa bem preparada, reconheceu problemas ocorridos e a forma como estão buscando soluções para equacionar as barreiras impostas, quer sejam sanitárias, quer sejam comerciais”, aponta Vilmar Sebold. “Ele deixou clara a intenção da Embaixada no sentido de manter o mercado, bem como, ações para minimizar os reflexos das barreiras”, completa.


 


Da produção ao consumidor final


Na China o governo recém implantou um rigoroso controle ambiental para indústrias de produtos químicos usados na agricultura. A produção anual de pesticidas é de até 3,7 milhões de toneladas. O país consome atualmente 1,8 milhão e exporta 1,5 milhão / ton. 


Também nesse segmento, a China se destaca com o que tem de melhor em outros países. Na avaliação de Sebold, isso se deve à política histórica da China que, primeiramente, atraiu todos os grandes fabricantes mundiais, em função do baixo custo ofertado. Depois atraiu produtores e fornecedores mundiais. “Agora, participa da cadeia, desde a produção até o consumidor final”, aponta.  


Com relação ao controle, por decisão do Governo Central, até 2020 serão fechadas todas as empresas que não conseguirem se adequar à legislação ambiental vigente. A análise é de que, pelo menos, 50% das fábricas de pesticidas lá existentes serão fechadas. Sebold analisa as consequências desse cenário para os produtores rurais brasileiros. “Fechando as fábricas menores haverá maior concentração, maior necessidade de investimento, custos mais elevados, em função também do meio ambiente, menor diversidade de fornecedores etc. E quem pagará, seguramente, serão aqueles que utilizam o produto final: nós, produtores!”, enfatiza.


Os principais países importadores dos pesticidas chineses são: Estados Unidos, Brasil, Austrália, Argentina, Vietnã, entre outros.


Outro aspecto que difere bastante a China do Brasil diz respeito a logística de transporte. As rodovias são pedagiadas, mas têm qualidade superior, possuem três ou quatro faixas de rodagem. Asfalto perfeito, poucos caminhões rodando. O fluxo de carga é dividido entre ferrovias, hidrovia e transporte aéreo. 


Na China o inverno é muito rigoroso e afeta as rodovias, o que não se configura em entrave para o transporte. “Se não tratarmos com urgência e responsabilidade a questão de logística e infraestrutura no Brasil, seremos alijados do comércio internacional”, alerta Vilmar Sebold. “Ninguém paga o custo da ineficiência e falta de planejamento”, assegura. 


A estrutura das ferrovias e rodovias serve de referência. Surpreende pela quantidade e qualidade. Lá, os trilhos são quase todos suspensos, uma vez que o solo tem problema com lençol freático e o inverno.  Em alguns locais são três ou quatro linhas férreas, lado a lado.


As hidrovias são largamente utilizadas por barcaças de transporte.


 


Para o futuro: crise ou oportunidade?


O povo chinês está envelhecendo. Entre os jovens, boa parte filhos únicos, a opção é por não se casarem e não terem filhos. Essa situação levou o governo a abolir o controle de natalidade. Entre os que moram no campo, não há incentivo pela permanência. 


No cenário que se apresenta, as famílias ou o governo não terão como segurar os jovens no campo, aumentando o êxodo rural, que ampliará a necessidade de alimentos para suprir as populações das áreas urbanas. 


A classe média continuará crescendo e consumindo mais. “Isso é bom para nós que produzimos alimentos e teremos espaço e oportunidades nos mais diversos segmentos, basta nos prepararmos”, analisa Vilmar Sebold. “Mas se não adequarmos a infraestrutura e gastarmos tempo e energia para entender a cultura e o que os chineses realmente irão adquirir, nossos concorrentes o farão”, adverte. 




Sobre a China


A China é uma das civilizações mais antigas e conhecidas de todo o mundo. Falar de sua história é contar sobre um dos povos de maior evolução cultural, responsável por invenções como a pólvora, a bússola, o papel, além de diversas técnicas de agricultura e de navegação, que foram posteriormente levadas aos quatro cantos do mundo.


Com um dos maiores impérios já vistos pela humanidade, formado muito antes da ascensão do Império Romano, a história chinesa também é marcada por grandes obras arquitetônicas, peças de arte de valor inestimável e por uma das culturas mais ricas de todo o Planeta.


Apesar de tradicional e do vasto domínio chinês em questões de território, as origens da civilização chinesa são pouco documentadas. Estima-se que a China tenha surgido há mais de quatro milênios antes da era cristã.


Sempre marcada por forte tradição familiar, pela valorização da agricultura e da escrita, e pelo desenvolvimento das artes, a China passou, aos poucos, por transformações que a levaram de um país puramente agrícola para uma das nações mais desenvolvidas de todo o mundo.


Pequim é a capital da cultura e do poder. Xangai é a capital econômica e financeira. Os símbolos da tradição chinesa são representados por dois leões. O macho mantém a pata direita sobre uma bola, que representa o mundo e significa o domínio do poder. A leoa aparece com a pata esquerda (o lado do coração) sobre o filhote. O monumento simboliza o amor, a harmonia e a família.


Um ponto marcante da história da China diz respeito ao seu crescimento em relação a outras nações, como o nosso país. Em 1996 a China e o Brasil eram praticamente iguais, economicamente. A China com US$ 863,7467 bilhões de PIB e o Brasil com US$ 850,4264 bilhões. 


Pouco mais de 20 anos depois, em 2017, o PIB do Brasil estava em US$ 2,0555 trilhões, e o PIB chinês em US$ 12,2377 trilhões. “Um crescimento seis vezes maior que o brasileiro, e com infraestrutura, outro aspecto que chama atenção, o que nos leva a concluir que, se nós não adequarmos educação e infraestrutura no Brasil, a situação ficará ainda mais complicada”, analisa o presidente da Cocari. 


No primeiro trimestre de 2018, o PIB da China cresceu 1,4%. Apresentando queda em relação aos 1,6% registrados no trimestre anterior, de acordo com informações divulgadas pelo National Bureau of Statistics of China (NBS). Já em relação ao mesmo período do ano anterior, o PIB chinês cresceu 6,8%. 


Aqui no Brasil, a estimativa do PIB para o ano era de 2,5%, mas o Banco Central revisou para baixo a projeção de crescimento, ficando estimado em 1,6%, mudança atribuída à perda de ritmo da recuperação, à estagnação da confiança de empresas e consumidores na economia e à paralisação dos caminhoneiros, ocorrida em maio.



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