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Manejo de ambiência e programa de luz para frangos de corte

09/03/2018 - 10:57:41  Cocari
Redação da C7 Comunicação


Para fazer uma reflexão sobre manejo de ambiência e programa de luz em frangos de corte é importante traçar um comparativo entre passado e presente. Em 1957, ao nascer o pintainho tinha apenas 34 gramas. Aos 56 dias, estava com 905 gramas. Crescia somente 26 vezes o peso desde sua fase de pintainho até o período de abate.


Em 2005, tinha 44 gramas ao nascer, e potencial de crescimento de 95 vezes até alcançar 56 dias de vida. Ainda assim, esse potencial genético da ave moderna está muito aquém daquilo que algumas propriedades conseguem alcançar. É preciso melhorar as práticas de manejo para extrair o melhor das aves.  


 


Quanto de calor produz um frango


O frango é um motor de combustão, que tem produção de energia e calor. Quanto maior o animal, maior a produção de calor. No passado, o frango produzia pouco calor comparado ao atual, o que significa que as condições de uma granja do passado não são mais apropriadas para o frango moderno.


Por exemplo, um frango de 1.800 gramas consome, aproximadamente, 150 gramas de ração por dia. Esse consumo, considerando a base média de energia das rações fabricadas no Brasil, representa em torno de 530 Kcal, que vão gerar energia e calor. 


Em um aviário, 80% da temperatura interna é gerada pelo frango, 9% pelo teto e 8% pela cortina. Com isso, investir em tecnologia, em isolamento térmico no telhado e na parede é necessário, porém é mais importante retirar do aviário todo o calor que a ave está produzindo.


A ave perde calor de duas formas. Primeiro, para o ar a sua volta. Durante 24 horas a ave perde calor de forma sensível, principalmente através da cabeça, crista, barbela, pata e regiões sem pena. E depois pela evaporação, quando a ave abre o bico para trocar a umidade interna do corpo com o ambiente. 


Se o galpão estiver em 25ºC de temperatura ambiente, 77% do calor a ave perde de forma sensível e 23% abrindo o bico.


Se a temperatura for de 30ºC, perderá 74% de forma sensível e 26% abrindo o bico.


Com 35ºC, a perda sensível é de 10%, e 90% abrindo o bico.


 


Quanto se perde em dinheiro 


Toda vez que a ave usa o mecanismo sensível para eliminar calor, não há gasto energético. Já toda vez que abre o bico, há gasto energético – que vem da ração que consumiu, e isso significa que a ave vai aumentar o consumo de alimento para se manter viva e não para crescer. O resultado será GPD baixo e conversão alimentar alta. 


Resumindo, frango de bico aberto é sinal de dinheiro perdido, independentemente da idade da ave. 


 


Ventilação mínima 


A finalidade da ventilação é fornecer nível mínimo de troca de ar. O aviário requer esse mecanismo para manter a boa qualidade do ar e remover o excesso de umidade. 


A ventilação mínima é recomendada para aves mais jovens e em condições climáticas de frio ou inverno. Mas, embora seja mais utilizada no inverno, a ventilação mínima é recomendada sempre, independentemente da idade do frango. 


Taxa de ventilação mínima – A ventilação mínima é baseada em um temporizador e não na temperatura. As taxas de ventilação mínimas sugeridas são m3 por hora, multiplicado pelo peso da ave. 


A ventilação é extremamente necessária para que a ave se levante para procurar alimento. Para estimular o consumo de ração, além da qualidade do ar, a temperatura deve estar correta. Caso contrário, acarreta má formação das fezes, má digestibilidade, conversão alimentar alta, baixo ganho de peso. É perda certa.


 


Bom fluxo de ar


Se a velocidade e o volume de ar que entram no aviário forem demasiadamente baixos, o ar frio irá diretamente para as aves, a cama se molhará e as aves ficarão frias, causando excesso de umidade. E se os pintainhos tiverem contato com a umidade, irão se amontoar, ou procurar a área mais quente do aviário. Ou seja, não ocorrerá boa distribuição das aves dentro do galpão. 


O ideal é que o ar percorra mais perto do forro até a metade do galpão e só depois comece a descer, de forma que o exaustor o leve, retirando o volume necessário a cada ciclo. 


É importante não apenas controlar a temperatura, mas a variável ‘temperatura e umidade’. Essa grande preocupação está baseada na manutenção de níveis de amônia abaixo de 10 ppm.


 


Ventilação artificial


Na ventilação no sistema convencional, o recomendado é um ventilador para cada 65-70 m2, e conforme a largura do aviário é definido o número de linhas: 


Até 9 metros – 1 linha de 


ventiladores;


De 9 a 11 metros – 2 linhas de 


ventiladores;


De 11 a 14 metros – 3 linhas de 


ventiladores;


De 14 a 17 metros – 4 linhas de 


ventiladores;


Acima de 17 metros – 5 linhas 


de ventiladores.


 


Ventilação túnel  


A ventilação túnel é utilizada em climas quentes ou em aviários em que são criadas aves maiores – acima de 3 kg.


O fluxo de ar de alta velocidade aumenta com o efeito de resfriamento, removendo o excesso de calor, o que proporciona efeito refrescante.


 


Obs.: o esfriamento evaporativo só pode ser utilizado se a umidade do ambiente for abaixo de 75% e a velocidade do ar for maior que 1,5 m/s. Se não observar esses limites, ao final do dia terá frango morto.


Importante: independentemente do que o termômetro esteja indicando, a avaliação do comportamento das aves é a verdadeira e única forma de determinar se a configuração da ventilação do túnel é correta. É preciso trabalhar com as três informações. 


Temperatura e umidade devem se somar ao comportamento das aves. Se estiverem espalhadas, consumindo a ração, está excelente. 


A velocidade do ar interfere no consumo de alimento, água e no ganho de peso das aves. Frangos expostos a altas velocidades de ar consomem menos água e mais alimento. Quanto maior a velocidade do ar, melhor o consumo.




 


 


 


Importante


Certifique-se de que o galpão esteja totalmente fechado, para proporcionar boa ventilação e evitar a fuga de ar. Isso garante que a velocidade e o volume do ar que entra no galpão estejam controlados e corretos.  


As entradas de ar devem ser distribuídas uniformemente em todo o galpão e devem abrir-se da mesma forma. Isso criará uniformidade quanto ao volume, velocidade, direção e distribuição do fluxo de ar. 


É importante monitorar a pressão no aviário e a velocidade do ar, cuidando para que o ar que entra seja direcionado para o centro do galpão, e utilizar testes de fumaça ou fitas para confirmar se a direção do fluxo e as entradas de ar estão corretas.


 


Estresse térmico


O estresse térmico tem efeito negativo sobre o crescimento das aves. Estressadas, as aves consomem menos alimentos, crescem menos, ganham menos peso, têm maior conversão alimentar, pior viabilidade e, consequentemente, maior mortalidade. 


Em condições normais de temperatura, a ave consome cerca de 11% do seu peso vivo em ração e 17,8% em água. Na medida em que as temperaturas sobem, há redução de até 55% no consumo de ração, e aumento de 130% no consumo de água.


Consumindo mais água e menos ração, a ave apresenta passagem de alimento mal digerido e fezes mais líquidas. Consequentemente, isso reduz o ganho de peso, aumenta a conversão alimentar e aumenta a mortalidade pela dificuldade em controlar a umidade interna do aviário.


Outro mecanismo para controlar a temperatura corporal é dar água fresca para as aves. A temperatura ideal é de 18 a 21ºC. Seja pintainho ou adulto, sempre que a água estiver com temperatura acima de 21ºC, a ave reduz o consumo, o que impacta na queda do desempenho. 


Quanto maior a restrição de água, menor o peso final das aves. Para controlar a temperatura, a caixa d’água deve ficar à sombra. O cano tem que ficar enterrado a, pelo menos, meio metro do solo. O ângulo do niple deve ser adequado à idade das aves, para incentivar o consumo de água. Se o produtor restringir o consumo de água, restringe também o consumo de alimento, prejudicando o ganho de peso das aves.


 


Medidas suplementares


Se não tiver velocidade adequada de ar, o ideal é fazer investimentos para alcançar os níveis adequados, mas alguns tópicos são importantes destacar:


Posicionamento: no momento de construir os aviários deve-se optar pela posição leste/oeste, para que o sol, de quando nasce até se pôr, corra por cima do telhado. Ao bater nas laterais do aviário, as temperaturas aumentam muito. 


Defletores: cortinas de, aproximadamente, 60 cm colocadas a cada dois pés direitos (6 ou 10 metros). O ar entra, bate no defletor e ganha pressão e velocidade. Essa medida deve ser temporária, apenas até que se entenda os motivos de não ter velocidade adequada.


Sombreamento: diminui a insolação na cobertura e não pode representar barreira à ventilação natural. 


Pintura ou limpeza de telhado: se o telhado for branco tem maior poder de refletância. Dessa forma, o sol bate e reflete, ou seja, não absorve o calor. Uma telha comum de fibrocimento chega a 59ºC facilmente. A telha com maior capacidade de refletância chega a 48ºC, ou seja, 11ºC a menos. Algumas telhas podem baixar até 4ºC. Mas não é necessário comprar telhas, basta fazer a limpeza e pintá-las de branco para baixar a temperatura interna do aviário.


 


Programa de luz


Tradicionalmente se assumiu que o uso de fotoperíodos longos (dar muita luz) eleva ao máximo a velocidade de crescimento dos frangos de corte. No entanto, investigações recentes têm demonstrado que esse conceito não é correto.


Estudos mostram que aos 42 dias, com 14 horas de luz, a ave passa 75% do dia descansando ou dormindo e 7% se alimentando;


Com 17 horas, as aves passam 70% do tempo dormindo e 7,5% se alimentando;


Com 20 horas, 80% descansando e 6% se alimentando;


Com 23 horas, 85% descansando e 5% comendo;


Com isso, concluiu-se que quanto mais luz tiver, mais a ave dorme, e menos se alimenta.


 


Por que fornecer luz para as aves?


A única função da luz é facilitar a visão das aves e, por consequência, o consumo de ração. Na fase inicial é preciso pelo menos 20 lux (unidade de iluminação de um lúmen por metro quadrado) para ter estímulo de consumo. Pouca intensidade de luz gera gasto de energia elétrica e não tem reflexo positivo para estimular o consumo na ave. Na fase de pintainho é preciso, ao menos, 20 lux.


A recomendação é de se colocar lâmpada de Led nos aviários. As incandescentes estão proibidas e eram ineficientes. 


 


Cor da lâmpada


Quando for comprar lâmpadas para o aviário é preciso verificar a unidade de medida que determina a cor. Quanto menor o número, mais amarelada/alaranjada/avermelhada é a lâmpada. A recomendação, para frango, é de que a luz seja fria (a partir de 6000 k), que dá mais brilho, maior intensidade e, consequentemente, vai alcançar os 20 lux, estimulando o consumo.  


O produtor deve se atentar à potência também. A lâmpada de Led tem 6,9 watts. Comparada à incandescente, tem menor capacidade de espalhar. Para galpão, principalmente para a fase de pinteira, o recomendado é de 9 watts para cima, porque é ali que precisa de intensidade.


 


Luminosidade


Estudo realizado sobre recomendação de fotoperíodo e intensidade luminosa para otimizar a performance da ave no abate define como adequados:


0 a 7 dias: acima de 20 lux, com 23 horas de luz e uma de escuro – máximo desempenho aos 7 dias; 


De 8 dias até o abate: a orientação é reduzir a intensidade, 5 a 10 lux, com 7 horas de escuro e 17 horas de luz. 


Essa é uma recomendação de linhagem. Toda e qualquer discussão em torno dessas especificações devem ser feitas com a equipe técnica que atende aos avicultores. 


 


 * Artigo baseado na palestra de Rodrigo Tedesco Guimarães, supervisor regional de Serviços Técnicos da Aviagen Ross


 


 

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