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Dia de Campo de Café apresenta vantagens financeiras da cultura

25/04/2017 - 11:34:46  Cocari
Redação da C7 Comunicação


A tradição da cafeicultura, arraigada em muitas famílias de cooperados, que têm suas histórias atreladas à trajetória da Cocari é um fato incontestável. Mas o que mantém os produtores fiéis à cultura vai além das tradições de família. O café é um produto altamente rentável, principalmente para produtores familiares, que trabalham em pequenas áreas. Esse foi o foco do Dia de Campo de Café da Cocari, realizado na Associação Atlética Cocari (AAC) e Centro Tecnológico da cooperativa (CTC), no dia 12 de abril, que abordou as práticas culturais e cuidados na instalação para se obter lavouras produtivas. 


Região abençoada


O desejo de ver, assim como nas culturas brancas, o café registrando neste ano safra cheia, foi exposto pelo presidente da Cocari, Vilmar Sebold, nas boas-vindas aos cooperados, apesar de as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) serem de redução de safra em virtude do ciclo bianual. “O que temos visto na região nos enche de expectativas de que tenhamos uma ótima produção”, ressaltou.


Citando o cenário nacional, o presidente observou que a turbulência política, que prejudica a economia, foi um divisor de águas em outros países quando enfrentaram crises envolvendo corrupção, semelhantes à enfrentada pelo Brasil, sendo esta uma esperança para os brasileiros. “Acredito que o Brasil vai sair melhor de tudo isso”, ponderou.


Sobre os reflexos na agricultura, ele pontuou que o café sempre enfrentou diversas crises, porém viveu períodos de muita fartura. E nos últimos dez anos, os produtores tiveram de reaprender a cafeicultura, desde plantar, cultivar até colher. “Não temos a abundância de mão-de-obra que tínhamos no passado, então precisamos ser tecnicamente competitivos, para que tenhamos o custo reduzido em função de alta produtividade, com diluição dos custos fixos. Mas estamos em uma região abençoada, com altitude e clima propícios para café de qualidade”, disse. 


Referência em qualidade


A história de sucesso de Mandaguari na cafeicultura foi relembrada pelo prefeito Romualdo Batista. “Mandaguari foi, é e será sempre reconhecida pelo café, pela grande bebida produzida, e hoje é uma referência em qualidade”, apontou, comentando sobre a participação do secretário da Agricultura do município, Luiz Felipe Cavalheiro Martivi, em evento realizado em Ibaiti, onde Mandaguari 


foi enaltecida pelas políticas de incentivo aos produtores. 


O prefeito reconheceu também o trabalho realizado pela cooperativa junto aos cafeicultores, que contribui para o destaque da cidade como grande produtora de café de qualidade no Paraná. “Temos um respeito muito grande por vocês, agricultores, que sabem produzir e produzem com qualidade”, afirmou o prefeito.


Palestras abordam manejo do cafeeiro


Os cafeicultores receberam orientações em duas palestras. A primeira abordou Nutrição do Cafeeiro, sendo apresentada pelo engenheiro agrônomo da Yara Fertilizantes, João Miguel Ruas, que falou sobre a viabilidade da cultura. “Para que a cultura se torne viável, e o produtor consiga se manter na atividade, a produção mínima deve girar em torno de 30 a 35 sacas beneficiadas por hectare. Este é um volume produzido na região de Mandaguari, o que marca o diferencial dessas áreas em relação a outras regiões do Paraná, que ainda produzem 16 sacas beneficiadas por hectare, chegando no máximo a 20 sacas. Isso não viabiliza a cultura, o produtor não planta por hobby”, reforçou.


O outro tema tratado foi Cultivares de Café do Iapar, em palestra ministrada pelo Dr. Gustavo Sera, que além da demonstração das variedades no campo, tratou de áreas com e sem ocorrência de nematoides, pragas que atacam as raízes das plantas e têm acarretado grandes problemas para os cafezais. Os produtores foram esclarecidos de como se dá essa convivência dos cafezais com a praga, e como adotar o plantio de variedades resistentes, ressaltando que o Iapar tem variedades que apresentam bons resultados na resistência contra nematoides.


O pesquisador do Iapar destacou informações fundamentais para uma lavoura produtiva, como características agronômicas das variedades de café, orientando os produtores sobre as situações indicadas ao utilizar cada opção, posicionando a variedade ideal para o talhão certo, a organização dentro da propriedade, a quantidade recomendada de variedades a serem usadas no plantio, entre outras situações.


Caminhos para a alta produtividade


Tratos culturais, análise de solo, rentabilidade da atividade em comparação com outras culturas, no que se refere a custos, e retorno financeiro foram assuntos debatidos no estande do Departamento Técnico da Cocari (Detec), que teve o engenheiro agrônomo Roberval Simões Rodrigues como responsável. “Comparado com a soja, por exemplo, o café tem rendimento financeiro cinco vezes maior”, aponta o agrônomo.


Durante o evento, nos estandes de empresas parceiras, foram abordados os cuidados que os produtores devem ter para conduzir a lavoura e colher bom resultado. 


Com foco em pragas e doenças, mas também relacionando com a viabilidade econômica, o assunto foi tratado de forma que o produtor perceba que falar de manejo, dos cuidados na condução da planta, é um caminho para torná-la produtiva e, consequentemente, dar bom retorno econômico.


Orientação para novas áreas de café


As recorrentes geadas provocaram redução nas áreas de café ao longo dos anos, mas a situação vem se revertendo aos poucos, de forma que, principalmente na região de Mandaguari, aumentaram as áreas de plantio. “Isso significa que há interesse do produtor em manter áreas de café, que a cultura continua sendo rentável”, destaca o engenheiro agrônomo responsável pelo CTC, João Batista Gonçalves Dias da Silva.


O clima favorável e o solo propício ao desenvolvimento da planta na região, aliados à boa rentabilidade, também colaboram para novos investimentos na cafeicultura. 


Com a tecnologia da engenharia mecânica, máquinas e ferramentas são desenvolvidas de maneira que praticamente todas as operações para o plantio da lavoura de café podem ser mecanizadas. E a instalação de novas áreas tem orientação para lavouras aptas ao trabalho de mecanização, com espaçamentos em torno de 3,20 metros e 3,50 metros, que também permitem o plantio intercalado, possibilitando a instalação de plantas forrageiras no verão, já que o trator pode passar no meio da plantação.


Variedades resistentes


As variedades de café plantadas no campo experimental da Cocari são do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Entre as variedades expostas durante o evento está o IPR 100, um café resistente à nematoide. Segundo João Batista, o IPR 100 tem bom desenvolvimento. Possui um sistema radicular forte, agressivo, explora bem o solo e produz muito bem em situações difíceis e de média a alta fertilidades. “Esta é uma variedade que vai dar boa resposta para o produtor, mesmo em anos em que não seja possível investir muito na produção, dada a qualidade da variedade”, resume o engenheiro agrônomo. 


Outra variedade apresentada é a IPR 107, um cruzamento do Iapar 59 com a Mundo Novo (café que sempre produziu muito, característica que desperta o interesse do produtor). O IPR 107 é um café com boas qualidades para a produtividade, que também tem mostrado a resistência como diferencial em relação aos demais. No entanto, não é resistente a nematoide, não sendo, portanto, interessante para áreas com ocorrência da praga. 


Uma novidade durante o evento foi o lançamento da variedade IPR 102, café muito produtivo, ideal para áreas sem nematoide e alta fertilidade. “Para produtores especializados, que já têm bom rendimento, é uma boa opção”, argumenta João Batista. 


Um dos experimentos apresentados pelo Iapar teve por objetivo avaliar o comportamento da variedade, conforme o espaçamento na linha entre as plantas. Seis variedades diferentes foram plantadas com espaçamentos de 40 cm, 50 cm, 60 cm e 70 cm, considerando a largura fixa de 2,75 metros. 


Café de Mandaguari é destaque no Paraná


O café é uma bebida consumida por 97% dos brasileiros. E os consumidores estão com paladar cada vez mais exigente. Mas os cafeicultores não têm decepcionado. Ao contrário, é grande o esforço na produção de grãos diferenciados. 


Esse zelo foi elogiado por Paulo Franzini, da Câmara Setorial do Café, durante o Dia de Campo de Café da Cocari. “Mandaguari continua sendo destaque na produção de cafés especiais, é uma região com alguns limites de clima que exigem ainda mais do produtor no esforço de ter um café de melhor qualidade”, disse. 


“Temos, realmente, que agradecer aos cafeicultores pela parceria com a Cocari e outras empresas também, que estão contribuindo para que o café de Mandaguari chegue ao consumidor”, salientou, comentando que cafés de produtores já estão em cafeterias fora do país, levando o nome do produtor, e a intenção é de que ocorra o mesmo com cafés produzidos em Mandaguari, porque já estão presentes em cafeterias do Brasil.


Franzini destacou a boa colocação alcançada por José Carlos Rosseto, cooperado e diretor conselheiro da Cocari, no Concurso Café Qualidade Paraná de 2016, falando sobre boas perspectivas para a edição deste ano do concurso. “É importante que os produtores levem as amostras na cooperativa até meados de agosto, visto que haverá uma pré-seleção de todas as amostras para inscrição daquelas aprovadas pela região”, disse.  A premiação está marcada para 5 de outubro, em Jacarezinho, na região Norte Pioneiro, durante a Ficafé. “Já estamos incentivando os cafeicultores para que preparem seus lotes, e torcendo para termos cafeicultores de Mandaguari entre os melhores no 15º Concurso Café Qualidade Paraná”, finalizou.

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